Existe uma tendência muito humana de romantizar o passado. Quando o presente fica difícil, começamos a lembrar apenas das partes boas do que ficou para trás e esquecemos o motivo pelo qual precisamos sair de lá. Foi exatamente isso que aconteceu com o povo de Israel no deserto. Depois de serem libertos da escravidão no Egito, diante das dificuldades do caminho, começaram a desejar voltar.
Em Números 14:3-4, o povo questiona por que Deus os havia tirado do Egito e chega a dizer que seria melhor retornar. Isso é impressionante, porque o Egito representava opressão, sofrimento e escravidão. Ainda assim, diante do desconforto do processo, aquilo que era prisão começou a parecer seguro.
Isso também pode acontecer conosco. Às vezes Deus nos tira de ambientes, hábitos, relacionamentos, pensamentos ou versões antigas de nós mesmos, mas o processo de mudança não é confortável. E quando as coisas ficam difíceis, podemos sentir vontade de voltar ao que era familiar, mesmo sabendo que aquilo não nos fazia bem.
Nem tudo que é conhecido é lugar de permanência. O fato de algo parecer confortável não significa que seja vontade de Deus. Muitas vezes, crescer exige atravessar períodos em que ainda não chegamos ao novo, mas também já não pertencemos mais ao velho.
Por isso, é importante não confundir saudade com direção. O passado pode ensinar, mas não deve necessariamente nos governar. Quando Deus abre um novo caminho, precisamos confiar que Ele sabe para onde está nos conduzindo, mesmo quando ainda não conseguimos enxergar o destino.
Oração: Senhor, ajuda-me a não voltar para aquilo que o Senhor já me mostrou que preciso deixar para trás. Dá-me coragem para continuar, mesmo quando o novo parecer incerto. Que eu confie mais na Tua direção do que na segurança do que já conheço. Amém.




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