Por muito tempo, eu achei que precisava encontrar uma profissão que parecesse importante, séria e significativa. E talvez seja por isso que, quando a gente não consegue se encontrar profissionalmente, começa a pensar que o problema é simplesmente não saber o que quer fazer da vida.

Mas ultimamente eu tenho pensado nisso de uma forma diferente: e se a resposta estiver justamente naquilo que sempre foi fácil demais para nós?

Às vezes, somos tão boas em alguma coisa que não conseguimos enxergar aquilo como uma habilidade. Para nós, parece simples. Pensamos: “Mas qualquer pessoa consegue fazer isso”. Só que não. Muitas vezes, aquilo que fazemos naturalmente é justamente algo que outra pessoa teria muita dificuldade para aprender.

Eu percebo isso quando olho para a arte na minha vida. Desde criança eu gostava de pintar e desenhar. Sempre tive facilidade para olhar alguma coisa e reproduzi-la no papel. Criar, combinar elementos, trabalhar com as mãos e transformar uma ideia em algo bonito sempre foi algo muito natural para mim. Por ser natural, durante muito tempo eu não enxerguei isso como uma possibilidade profissional. Na minha cabeça, eu precisava fazer algo “de verdade”, algo mais significativo.

Eu cheguei, por exemplo, a estudar Contabilidade por dois anos. Talvez eu pudesse ter terminado. Talvez pudesse ter me formado e me tornado contadora. Mas hoje eu faço uma pergunta diferente: eu seria uma boa contadora?

Existe uma diferença entre ser capaz de exercer uma profissão e encontrar uma área em que nossas habilidades realmente aparecem.

Talvez seja por isso que tanta gente se sente perdida. Tentamos descobrir qual profissão escolher olhando para salários, cursos, estabilidade ou para aquilo que parece ser uma “boa carreira”. Mas raramente alguém nos pergunta: no que você é realmente bom?

Se eu pudesse aconselhar alguém que acabou de terminar o ensino médio e não sabe o que fazer, essa provavelmente seria uma das primeiras perguntas que eu faria. Não apenas “do que você gosta?”, mas “o que você faz bem?”

Porque aquilo que parece pequeno para você pode não ser pequeno.

Hoje, eu tenho a oportunidade de expandir meus conhecimentos justamente naquilo que gosto e naquilo que percebi que sou boa em fazer. Mas chegar até essa conclusão levou tempo. E acredito que esse processo seja diferente para cada pessoa. Para algumas, a resposta pode aparecer muito cedo. Para outras, pode levar anos, tentativas, mudanças de direção e até algumas desistências. Cada pessoa tem sua própria realidade e seu próprio tempo.

Atualmente, tenho me empenhado cada vez mais nos meus projetos de arte. Quando faço meus produtos artesanais — como os novos envelopes florais que criei recentemente — percebo o quanto gosto de todo o processo: pensar no design, escolher os detalhes, testar, errar, refazer, cortar, montar e finalmente olhar para algo que nasceu de uma ideia e agora existe nas minhas mãos.

E eu quero continuar fazendo aquilo que realmente gosto.

Porque comecei a entender que nem tudo é sobre dinheiro e nem tudo é sobre status. Claro que o dinheiro tem importância. Trabalhamos também porque precisamos de renda, estabilidade e independência. Não quero romantizar isso. Mas acredito que uma profissão também deveria carregar algum sentimento de propósito e significado.

Existe algo muito especial em terminar um trabalho, olhar para aquilo que você fez e pensar: “Nossa, eu realmente caprichei nisso. Eu sou boa no que faço.”

Para mim, esse sentimento tem um peso enorme.

É poder sentir orgulho não simplesmente pelo cargo que você ocupa ou pelo salário que recebe, mas pela qualidade daquilo que você entrega. É reconhecer suas próprias habilidades e perceber que existe valor nelas.

Talvez encontrar nosso caminho profissional não seja descobrir uma habilidade completamente nova. Talvez seja parar de ignorar aquela que sempre esteve conosco.

Nem todo talento precisa permanecer apenas como hobby porque parece fácil para você. Você pode estudar, aperfeiçoar, experimentar novas técnicas, desenvolver seus conhecimentos e, quem sabe, transformar aquilo em uma profissão.

Então, se você está se sentindo perdida e parece que nenhuma profissão combina com você, talvez valha a pena mudar a pergunta.

Em vez de perguntar apenas “O que eu deveria fazer da minha vida?”, experimente perguntar:

“O que existe em mim que eu faço tão naturalmente que nunca considerei que pudesse ter valor?”

Talvez a resposta esteja muito mais perto do que você imagina.

E eu ainda estou descobrindo a minha resposta também. Estou aprendendo, experimentando e construindo meus projetos aos poucos. Se você quiser acompanhar esse processo mais de perto, me siga no Instagram. Por lá, compartilho minhas criações, meus projetos artesanais, os bastidores do que estou aprendendo e um pouco dessa jornada de transformar algo que sempre amei fazer em algo que também possa fazer parte da minha vida profissional.

Quem sabe, enquanto eu descubro até onde a minha arte pode me levar, você também não começa a olhar com outros olhos para aquilo que existe de especial em você? ❤️

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